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O sucateiro eletrônico

 

Paulino Andrade: criou um sistema de coleta e venda de lixo eletrônico que triplicou sua renda mensal

 

Quando trabalhava como supervisor de logística em uma multinacional sediada em São Paulo, Paulino Andrade observava, intrigado, as dificuldades que as empresas tinham para se livrar de seus resíduos – não só os industriais, mas de qualquer tipo, inclusive material de escritório, que deixasse de ser útil. A dor de cabeça para as pessoas comuns era ainda maior. Em 2009, abandonou o papel de observador e resolveu agir. Montou um site na internet, o Cidadão ECO, que permitia que qualquer pessoa da Grande São Paulo se cadastrasse para ter computadores, telefones, impressoras e outros artigos eletrônicos quebrados ou obsoletos retirados por ele, gratuitamente, em sua própria casa. O “lixo eletrônico” era transportado e vendido por Andrade a empresas especializadas em reciclagem de metais e plástico. O que era apenas uma atividade paralela rapidamente transformou sua rotina. O empreendedor, hoje 37 anos, abandonou o emprego, alugou um galpão para separar as peças e o negócio cresceu. As 30 toneladas de lixo eletrônico que coletava semanalmente passaram a ser diárias. “Hoje, a maior parte dos clientes é composta por pequenas e médias empresas que não sabem como dar fim aos produtos que não usam mais”, conta.

 

Entre os “lixos” que já chegaram à empresa de Andrade estão smartphones, inclusive iPhones, e TVs de LED. Ele garante que vai tudo para a reciclagem. “Para revender produtos assim, precisaria me certificar de que estão funcionando bem e não tenho tempo de fazer esse tipo de teste”, explica. O produto mais valioso para as recicladoras são os microprocessadores de computadores. “As empresas reutilizam o alumínio, o níquel e outros metais ferrosos e não ferrosos. Cerca de 95% de tudo o que coleto volta para a cadeia produtiva em forma de matéria-prima”, explica. Com a empreitada, Andrade viu sua renda mensal triplicar, chegando a 30 mil reais por mês.

 

Não à toa, companhias do porte do Bradesco e Itaú – que não pertencem ao setor de reciclagem – fazem leilões de seu lixo eletrônico para empresas que o reciclam. “Esse tipo de descarte que leva a um retorno passou a ser viabilizado em alguns nichos de negócio, mas não é sempre que isso ocorre em grandes empresas. Depende muito da demanda por aquele lixo e da viabilidade econômica que ele pode proporcionar”, afirma Silva Filho. Segundo dados da Abrelpe, a geração de resíduos aumentou 1,8% em 2011 – um porcentual que é superior à taxa de crescimento populacional do país, que ficou em 0,9%. Ou seja, brasileiros consomem mais, descartam mais e reciclam menos. Ainda de acordo com a associação, 6,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos deixaram de ser coletadas no ano de 2011 e acabaram depoistadas no meio ambiente. Segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil deixa de ganhar 8 bilhões de reais com reciclagem de resíduos a cada ano.

 

Logística reversa – Outro ponto oportuno para empresários que atuam nesse setor é a entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que foi lançada pelo governo em 2011. Ela prevê que toda a sociedade (indústria, comércio, poder público e consumidores) será responsável pelos produtos que produz e consome e, por consequência, pelo destino que eles terão. Retirar, reutilizar ou neutralizar o impacto desse lixo no meio ambiente é chamado de logística reversa. Dentro desse plano, estabelece-se também o fim dos lixões a céu aberto.

 

Ainda que membros do próprio governo não acreditem que o PNRS será cumprido à risca, como ocorre com o próprio Ipea, que elaborou estudo crítico a esse respeito, a oportunidade está sendo criada. “Eu pretendo até mesmo iniciar um novo negócio de coleta, desta vez com pneus, porque haverá demanda”, aposta o empreendedor Paulino Andrade, que coleta gratuitamente o lixo eletrônico de empresas e pessoas físicas, por meio de um cadastro em um site na internet: o Cidadão Eco.

 

Carga tributária – Mesmo com a criação de soluções inteligentes e lucrativas para o lixo, que têm reflexo positivo no meio ambiente e na oferta de emprego, não há nenhum tipo de incentivo governamental específico para o setor. Nos últimos meses, preocupado em tirar o país da rota da crise financeira internacional, o Palácio do Planalto voltou-se, entre outros setores, para a construção civil. Desde março, pisos laminados, revestimentos e outros insumos contam com o benefício da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Contudo, produtos semelhantes, mas originários do lixo, não têm o apoio do estado – e seus fabricantes prosperam unicamente por seus próprios esforços.

 

Em fevereiro, o senador Paulo Bauer (PSDB-SC) foi um dos autores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 1/2012), que prevê que produtos elaborados a partir de material reciclado sejam isentos de alguns impostos. O objetivo, segundo o senador, é motivar o empreendedorismo no setor, já que a sustentabilidade por si só ainda não é uma razão suficiente para dar velocidade à expansão de empresas desse nicho. Desde o início do ano, o projeto tramita na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) do Senado.

 

(Com reportagem de Naiara Infante Bertão na Veja on line no dia 08/07/2012 – 09:48 http://veja.abril.com.br/noticia/economia/o-lixo-como-oportunidade-de-sucesso)



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